A cantada mais inesquecível que eu já passei foi

Pôr do sol

Nove de abril de dois mil e cinco, algumas horas da noite. Eu sou péssimo em contar fatos marcantes da minha vida, mas vou tentar esse, por um clicker. Bom, já passava das 10 da noite e eu não tinha pegado ninguém, - como se pegasse alguma coisa -, eu sou do tipo nerd pescador que espera “a peixe” pular por vontade própria dentro do balde. Nunca funcionou. Eis que no dia 9 de abril de 2005…

1,65m de altura, - as baixinhas são boas -, sempre com suas amigas inseparáveis. Eu sabia tanto sobre ela que nem parecia que eu havia estudado com ela desde a 2ª série do fundamental, e sim do maternal. E a primeira loucura que fiz foi no dia do aniversário dela, na 3ª série mesmo, um arqui-rival, havia comprado um colar de hyppe pra ela (era tudo naquela época), eu sou tão mole que não tinha comprado nada e ele tinha chances mais reais que eu. Pois bem, esperei o intervalo, ninguém na sala de aula, fui lá, como se não quisesse nada, e furtei o colar de bolinhas vermelhas cujo qual seria o presente do meu arqui-rival para minha baixinha (Furtei por amor, caracas!). No término do intervalo e quase no término da aula, estava eu tranquilo como se nada tivesse acontecido. Resumindo, eu não dei presente nenhum, mas o arqui-rival também não deu, então ficamos empatados e ela sem presente. Nunca mais a vi depois daquele ano, mudamos de colégio.

Do passo para o ano de 2005. Era uma festa escolar, voltamos a estudar juntos em outro colégio cinco anos depois, no 1º ano do Ensino Médio. Eu lembrava muito bem dela. Não conseguir tirar os olhos dela era muito fácil, e precisava fazer alguma coisa, mesmo sendo eu muito tímido para isso. Começamos a conversar, conversa vai, lembraças vêm. Ela tinha de ir embora, menina direita, certinha, se podia ir a uma festa, tinha hora exata para voltar pra casa. Mas não antes de terminar o desafio de frases filosóficas que a gente tinha iniciado naquela noite. Eu tinha uma carta na manga e a lancei:

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu a ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.” Hermann Hesse

Frases filosóficas foi um palpite que tive quando vi seu caderno em uma aula qualquer, - claro que ela não estava por perto-, num dia qualquer. Eu sabia que ela ia adorar de ouvir frases que a fariam refletir na vida, e principalmente, em mim. Interpreto essa frase de Hermann Hesse como minha primeira cantada (nada mal) para conquistar minha primeira namorada. E assim o considero o dia em que a conheci como um fato histórico na minha vida. O primeiro dia de muitos que vieram com a primeira namorada conquistada com a primeira cantada que eu passei. Precisa de mais algum pretexto para ter se tornado inesquecível?

*Esse post foi baseado na minha vida real. E também foi escrito para participar da “pra mocinha” do Verdade Absoluta. Qual foi a cantada mais inesquecível que você já passou em alguém?

Curiosidade: Essa cantada me rendeu um namoro de 593 dias, ou 1 ano, 7 meses e 16 dias e só terminou porque não era imune à distância.

Curiosidade II: 593 dias podem ser convertido em:

  • 51,235,200 segundos
  • 853,920 minutos
  • 14,232 horas
  • 84 semanas

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